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October 13, 2010 / vilanoticia

Erótika Fair

Na noita desta segunda, 11 de outubro, chega ao fim a 17ª edição da Erotika Fair, evento que reuniu na cidade de São Paulo, fabricantes, vendedores, atores, modelos e toda comunidade ligada ao nicho do erotismo.

A feira foi dividida em dois setores: um reservado ao ‘business’ e um outro a parte ‘hot’ com performances de pole/lap dance, strip tease, swing, sadomasoquismo, pintura corporal, tinta beijável, e toda uma gama de experiências que alimentou as mentes mais excitadas na dinâmica da sedução.

A princípio poderia ser afirmado de que o lado ‘hot’ estava mais interessante ou atrativo do que o ‘business’, afinal alinhar negócio e prazer nem sempre soa bem. Pois, engano. Circulando pelo Erotika Business percebeu-se o cuidado em estimular o gozo de todas as tribos. Não eram poucos os ‘brinquedinhos’ voltados ao público hétero, homo ou daqueles que são praticantes da atividade solitária. Vibradores, próteses que imitam a textura da pele humana, bonecas infláveis, óleos de massagem, acessórios que excitam a região da próstata e o períneo (ponto G masculino), pênis e vaginas de pelúcia, anel que retarda a ejaculação, bolinhas de pompoar, bomba clitoriana, cinto de couro com prótese peniana além das fantasias, cartas e dadinhos eróticos. Enfim, uma gama de produtos que levaram a crer que o ‘business’ erótico no Brasil vai bem.

Quem vai mal é o lado ‘hot’ brasileiro. Ficou explícito (com o perdão do trocadilho) de que as fantasias eróticas ainda são encaradas sob o ponto de vista do homem heterossexual. Sim, havia os garotos desfilando de microssungas, assim como mulheres posando em trajes minúsculos. Mas, certamente os dois estavam para atrair os olhares dos marmanjos ou dos garotos que acabaram de completar 18 anos ou talvez de algum casal mais liberal, é verdade. Levando a crer a tese de que o imaginário sexual do brasileiro está calcado nos pilares da heterossexualidade.

Alguém pode argumentar de que houve apresentações de lesbianismo ou das famosas dominatrix que fazem os homens agirem da forma mais animalesca possível (andando de quatro, lambendo as botas de couro, usando patas de asno). Ainda assim, são situações ligadas ao fetichismo do universo masculino.
Se em dado momento a dupla que se declara bissexual, Chris Lima, 25, e Mayanna Rodrigues, 24, trocava beijos, dedadas, velas pelo corpo e quando próximo dos 30 minutos de show, partia para o sexo explícito, nem por um segundo dois homens demonstraram/trocaram um simples gesto inocente de carícia durante o evento. Travesti? Transsex? Drags (teve uma dita terapeuta sexual que ficou incubida com a missão de ensinar as noivas como seduzir seus parceiros)? Operada? São nomenclaturas que não entraram no vocabulário da Erotika Fair.

Talvez, toda esta situação revele a velha ortodoxia dos homens serem apresentados ao sexo cada vez mais cedo, das mulheres terem que descobrir sua sexualidade sozinhas e dos homossexuais correrem por detrás das cortinas da sociedade.

Culpa? Não se trata de procurar/achar mocinhos ou bandidos, a questão é de que quando o assunto é sexo, é provável que os brasileiros ainda estejam no tradicional papai e mamãe.

Confira: www.erotikafair.com.br

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